← Artigos

Primeira crise convulsiva: o que fazer, o que investigar e o que esperar

Por Dr. Victor Maciel, neurologista (CRM/SP 205.127 · RQE 110265).

Em resumo

• Na hora da crise: o mais importante é proteger a pessoa de lesões — afaste objetos, proteja a cabeça, deite-a de lado e não coloque nada na boca. Crise com mais de 5 minutos = emergência.
• Nem toda convulsão é epilepsia: síncope e crises psicogênicas podem mimetizar o quadro.
• Uma única crise nem sempre significa tratamento imediato — a decisão depende da investigação (EEG, ressonância) e do risco de recorrência.
• O relato de quem presenciou — e vídeos caseiros, quando existem — vale mais que qualquer exame.

A primeira crise convulsiva é um dos eventos mais assustadores que uma família pode presenciar. E depois que passa, fica a pergunta: e agora? A resposta envolve menos pânico e mais método do que parece.

O que fazer durante a crise

Se você presenciar uma crise convulsiva, o papel de quem está por perto é, acima de tudo, evitar lesões secundárias — a crise em si, na maioria das vezes, cessa sozinha em um ou dois minutos:

Proteja a cabeça com algo macio (uma jaqueta dobrada, as próprias mãos) e afaste móveis, objetos duros ou pontiagudos ao redor
Deite a pessoa de lado (posição lateral de segurança) para evitar aspiração de saliva ou vômito
Afrouxe o que aperta — gravata, colar, botão da camisa — e afaste curiosos para dar espaço e ar
Não coloque nada na boca — nem dedo, nem colher, nem pano. A pessoa não engole a língua; o que ela pode fazer é quebrar dentes ou sufocar com o objeto
Não segure os movimentos e não tente reanimar com água ou cheiros
Se conseguir, tente cronometrar a crise — a duração é uma informação valiosa para o médico. Mas não se preocupe se não der: no meio do susto, proteger a pessoa é a prioridade, e uma estimativa aproximada depois já ajuda

Chame emergência (SAMU 192) se a crise durar mais de 5 minutos, se outra crise começar logo em seguida, se a pessoa não recuperar a consciência, ou se houver lesão, gestação ou diabetes.

Nem toda convulsão é epilepsia

Este é o ponto central da avaliação: vários eventos imitam crises epilépticas. A síncope (desmaio) pode vir com breves abalos musculares e confusão pós-evento. As crises psicogênicas não epilépticas reproduzem movimentos semelhantes sem descarga elétrica cerebral. Hipoglicemia, arritmias e distúrbios do sono também entram no diferencial.

Separar essas condições muda completamente o tratamento — tratar síncope como epilepsia significa anos de medicação desnecessária.

Como é a investigação

A peça mais valiosa é a história do evento: o que a pessoa fazia antes, como começou, como foram os movimentos, quanto durou, como foi a recuperação. Por isso o relato de quem testemunhou é fundamental — e vídeos caseiros, quando existem, são ouro diagnóstico: filmar a crise (em vez de segurar a pessoa) ajuda mais que qualquer descrição.

A investigação habitual inclui EEG (que pode mostrar descargas epileptiformes) e ressonância magnética (que procura causas estruturais), além de exames laboratoriais conforme o caso. Importante: um EEG normal não afasta epilepsia, e alterações leves nem sempre a confirmam — a interpretação é sempre clínica.

Uma crise significa tratamento para sempre?

Não necessariamente. Após uma primeira crise, a decisão de iniciar medicação depende do risco de recorrência: alterações no EEG ou na ressonância, crises noturnas e o tipo do evento aumentam esse risco. Em alguns casos, a conduta é observação estruturada; em outros, o tratamento começa já. A decisão é individual — e é exatamente para isso que serve a avaliação neurológica após a primeira crise.

Perguntas frequentes

Tive uma crise convulsiva. Tenho epilepsia?
Não necessariamente. Epilepsia é a tendência a crises recorrentes não provocadas. Uma crise única pode ter causas isoladas (privação de sono extrema, abstinência, hipoglicemia) ou ser o primeiro evento de epilepsia — a investigação com EEG e ressonância ajuda a estimar o risco de recorrência.

O que devo contar ao médico depois de uma crise?
O máximo de detalhes do evento: o que fazia antes, como começou, a duração (cronometrada, se possível), os movimentos, a recuperação. Se alguém presenciou, essa pessoa deve participar da consulta — e vídeos caseiros do evento são extremamente valiosos.

EEG normal descarta epilepsia?
Não. O EEG de rotina registra um recorte curto e pode ser normal entre crises. Da mesma forma, alterações discretas nem sempre significam epilepsia. O exame é interpretado junto com a história clínica — nunca isoladamente.

A avaliação da primeira crise pode ser por teleconsulta?
Sim. A avaliação se baseia na reconstrução detalhada do evento — idealmente com a testemunha participando —, na análise de vídeos e na revisão de exames já feitos. A partir daí, o neurologista define a investigação complementar necessária.

Dr. Victor Maciel — neurologista (CRM/SP 205.127 · RQE 110265). Avaliação de primeira crise e acompanhamento de epilepsia por teleconsulta — saiba mais.

Agendar avaliação

Presencial em São Paulo (Vila Madalena, Paulista, Ibirapuera) · R$ 650 — Teleconsulta para todo o Brasil · R$ 550 · recibo para reembolso.

Agendar consulta online

Ou agende pelo WhatsApp: (11) 91160-9373