Vertigem ou labirintite? Entenda a diferença e por que o tratamento certo importa
Por Dr. Victor Maciel, neurologista (CRM/SP 205.127 · RQE 110265).
Em resumo
• "Labirintite" virou nome genérico para qualquer tontura — mas labirintite de verdade (inflamação do labirinto) é rara.
• A causa mais comum de vertigem é a VPPB: cristais soltos no ouvido interno que provocam crises curtas ao mudar de posição.
• VPPB se trata com manobras de reposicionamento, não com remédio — e costuma resolver em poucas sessões.
• Tontura que "volta sempre" merece revisão do diagnóstico: enxaqueca vestibular e ansiedade são frequentemente confundidas com labirintite.
"Estou com labirintite" é uma das frases mais comuns em consultório de neurologia — e, na maioria das vezes, o diagnóstico real é outro. A confusão não é culpa do paciente: "labirintite" virou o nome popular de qualquer tontura. Mas entender a diferença muda o tratamento.
O que é labirintite de verdade
Labirintite é a inflamação do labirinto — a estrutura do ouvido interno responsável pelo equilíbrio e pela audição. É uma condição rara, geralmente pós-infecciosa, que causa vertigem intensa e contínua por dias, muitas vezes com perda auditiva associada. O quadro é agudo e autolimitado: não é uma condição que "vai e volta por anos".
Se a sua tontura é recorrente, há meses ou anos, quase certamente não é labirintite.
VPPB: a verdadeira campeã
A causa mais comum de vertigem é a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB). Cristais de carbonato de cálcio — que ficam naturalmente no ouvido interno — se soltam e caem dentro dos canais semicirculares. Resultado: crises curtas (segundos a um minuto) de vertigem intensa, disparadas por posição: virar na cama, levantar, olhar para cima, abaixar a cabeça.
O ponto mais importante: VPPB não se trata com remédio. O tratamento são manobras de reposicionamento — movimentos guiados da cabeça que devolvem os cristais ao lugar. A manobra de Epley, a mais conhecida, resolve a maioria dos casos em uma a três aplicações. É um dos tratamentos mais eficazes de toda a neurologia — e muita gente passa anos tomando medicamento para tontura sem nunca ter recebido a manobra.
O que mais se disfarça de "labirintite"
Além da VPPB, duas condições são confundidas com frequência:
• Enxaqueca vestibular: episódios de vertigem que duram minutos a horas, em pessoas com história de enxaqueca — com ou sem dor de cabeça no momento. O tratamento é o da enxaqueca: preventivo, não sintomático.
• Tontura por ansiedade: sensação de flutuação ou desequilíbrio persistente, ligada a hipervigilância corporal. Comum após um episódio de vertigem real, que deixa o sistema de equilíbrio "em alerta".
Também existem causas neurológicas menos comuns de vertigem — é por isso que crises recorrentes merecem avaliação, não só remédio para a crise.
Quando procurar avaliação
Procure avaliação neurológica se você tem vertigem recorrente, tontura que não se resolveu com medicação sintomática, ou se nunca recebeu um diagnóstico claro. E procure atendimento imediato se a tontura vier com dor de cabeça súbita e intensa, fraqueza, fala enrolada, visão dupla ou desmaio — esses sinais mudam a urgência.
A boa notícia: a avaliação da tontura é uma das que melhor funcionam por teleconsulta, porque o diagnóstico depende muito mais da história clínica bem feita do que de exames — e as manobras da VPPB podem ser orientadas por vídeo.
Perguntas frequentes
Labirintite tem cura?
A labirintite verdadeira (inflamação do ouvido interno) é aguda e autolimitada — melhora em dias a semanas. O que muitas pessoas chamam de "crise de labirintite" recorrente costuma ser VPPB ou outra condição, com tratamentos específicos e eficazes.
VPPB volta depois do tratamento?
Pode voltar — recidivas acontecem em uma parcela dos pacientes ao longo de anos. A boa notícia é que a manobra funciona de novo. Alguns pacientes aprendem a reconhecer a recorrência cedo e são orientados sobre como proceder.
Remédio para tontura (como cinarizina) resolve?
Medicações sintomáticas aliviam a náusea e a vertigem aguda, mas não tratam a causa. Uso prolongado pode até atrasar a compensação do equilíbrio. Elas têm papel na crise — o problema é quando viram o único tratamento.
Dá para avaliar vertigem por teleconsulta?
Sim, na maioria dos casos. O diagnóstico depende da história detalhada das crises — tipo de sensação, duração, gatilhos de posição — e de testes observáveis por vídeo, como os movimentos oculares. Na VPPB, as manobras de tratamento podem ser orientadas remotamente.
Dr. Victor Maciel é neurologista, com fellowship em Distúrbios do Movimento pelo Hospital das Clínicas da FMUSP. Avaliação de vertigem e tontura por teleconsulta para todo o Brasil — saiba mais.
Agendar avaliação
Presencial em São Paulo (Vila Madalena, Paulista, Ibirapuera) · R$ 650 — Teleconsulta para todo o Brasil · R$ 550 · recibo para reembolso.
Agendar consulta onlineOu agende pelo WhatsApp: (11) 91160-9373